domingo, 30 de setembro de 2012

Estarreja diminui a população. Porquê?



Década a década, a qualidade de vida dos estarrejenses tem vindo a melhorar a olhos vistos. A regeneração urbana tem sido uma aposta dos sucessivos executivos autárquicos, caso do edifício onde se encontra a Biblioteca Municipal ou do Parque da Cidade, que proporciona um agradável bem-estar a quem por lá passa. A isto junta-se o desenvolvimento de todas as freguesias: Avanca cresce em altura e tem um aspecto cada vez mais citadino, Pardilhó tem um novo centro cívico e cresce igualmente em altura, Veiros apresenta um novo espaço entre o edifício da Junta de Freguesia e o Clube Desportivo de Veiros, Salreu possuí edifícios cada vez mais modernos e de forte impacto paisagístico, Canelas e Fermelã apesar do seu estatuto de ruralidade, encontram-se tão próximas da Sede do Concelho que facilmente se integram na crescente modernização a que assistimos.
Contudo, apesar da progressiva melhoria das infra-estruturas concelhias, estamos a perder um número bastante significativo de pessoas para concelhos vizinhos. Segundo os dados preliminares dos Censos 2011, o Concelho de Estarreja perdeu 1000 habitantes. Então, mas se cada vez mais melhoramos a nossa qualidade de vida, qual o porquê de tantas pessoas procurarem casa fora de Estarreja?
A resposta é simples: o preço do imobiliário. Comparativamente com os restantes concelhos do Distrito de Aveiro, o valor pedido por particulares e imobiliárias é extremamente elevado para os dias que correm. Como é possível podermos comprar uma casa, se a remuneração usufruída por uma parte tão significativa dos cidadãos serem 485 euros por mês e o valor que é pedido por um imóvel se encontra acima dos 100 mil Euros? Se querem contribuir para o crescimento da Economia, baixem o valor pedido. São as leis básicas da Economia, se temos uma grande oferta imóvel disponível, é necessário baixar o preço para que a procura possa superar a oferta. Quando conseguirmos vender tantas habitações que seja necessário iniciar o processo de construção novamente, é sinal que a crise está a abrandar.
Podemos atribuir à crise a culpa de as pessoas abandonarem a sua terra. Na minha opinião, a culpa de os nossos conterrâneos saírem de Estarreja não é da crise. Falo especificamente dos mais jovens, muitos deles a quando do seu ingresso no Ensino Superior e após finalizarem os seus estudos, acabam por ficar a trabalhar em Cidades de maior dimensão, caso de Aveiro, Porto ou Coimbra. Muitos optam por residir próximo da zona onde trabalham por questões económicas. Tenho a certeza que se todos eles pudessem escolher, preferiam residir na sua terra, junto daqueles que lhes são mais queridos.
Por isso, alerto particulares e imobiliárias para baixarem o valor que pedem por imóveis, é impraticável nos dias actuais. Se venderem por valores inferiores, todos ganham: o cliente pode comprar a sua habitação e o vendedor tira a sua parte de lucro, despachando um bem que tende a desvalorizar com o decorrer dos anos.


Jornal Ribeirinhas Dez-2011
Jornal de Estarreja Dez-2011
Diário de Aveiro Dez-2011
Blog Jornal de Pardilhó Dez-2011
Jornal SEMA Fev-2012

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